viagem
viagem


este é um blog de ficção.
eu não existo, é claro.
nada se deu assim.
e o que na sua vida aconteceu mesmo, o que foi só esperança, autocondescendência ou engano?
contemos o conto com todas as distorções de direito.
mas esqueça os clichês.
não caia na tentação de entender.
o roteiro é óbvio, o caminho é batido.
mas sabe? as surpresas pegam nas curvas.



comentários

desenhos

mais desenhos


viajando no tempo

<< atual
dezembro 2005
agosto 2005
junho 2005
maio 2005
abril 2005
janeiro 2005
novembro 2004
outubro 2004
setembro 2004
agosto 2004
julho 2004
junho 2004
maio 2004
abril 2004
março 2004
fevereiro 2004
janeiro 2004
dezembro 2003
novembro 2003


viajando por outras bandas

nobody here

pianographique

sodaplay

lebonze

hipo-hernia

bembo zoo

lonely planet


viajando por aqui

bric-a-brac

conga-conga-conga

velotrol

02 neurônio

ciberarte

animamundi

doutromundo

porta curtas

pepa filmes

no mínimo

revista caros amigos

buzzine


viajando sempre

filmes

mp3


viajando na esperança

forum social mundial

CMI Brasil

baderna

rizoma

cecca

attac

espiral

antiglobalización

adbusters

disinformation

guerrilla girls

motivados

colectivo m31

el transmisor

pórtico luna

ciudadano.net


viajando pelo Rio



Praia do Arpoador, Rio de Janeiro, Brasil - foto de Manuel Rama Terra, 1998


dando uma maõzinha na estrada

SUIPA- Sociedade União Internacional Protetora dos Animais

WWF- World Wildlife Fund

Greenpeace Brasil

Médicos Sem Fronteiras




o que se leva desta vida é a vida que se leva































sábado, 28 de maio de 2005

E essas receitas de felicidade? Mude sua vida, elas dizem. Transforme, sacuda, recomece, refaça. Fico pensando por que será que não vale gostar da vida que se tem, e querer simplesmente conservá-la assim, longe de toda mudança - se fosse possível.
Mas eu entendo. Passo horas olhando e entendendo as coisas. Visto lá do alto nada intimida, nada significa tanto, tudo pode desaparecer na goela do vulcão a qualquer momento.
Não há teoria que explique a satisfação da natureza ao avançar sobre nossas construções abusadas e retomar o que lhe pertence, aquele solzinho sorrindo vitorioso depois da lambança. As formigas têm razão, as traças têm bons motivos, os mosquitos, aranhas, e os bichos pernudos que saem dos ralos têm justificativas apropriadas, a tempestade, o vendaval, o terremoto, o mar enfurecido, o gelo e a lava sabem o que fazem. Disputa de território, justa e honesta. Que vença o melhor.

Acho que um dia desses seremos extintos mas, até lá, como persistentes perdedores, ainda nos resta começar de novo.


Tenho que comprar um despertador. O periquito bicou meu nariz e fechei a janela, mas quando o helicóptero parte ao clarear o dia eu volto pra cama e durmo tão profundamente que nem ouço aqueles gritinhos escandalosos pedindo comida. Ele é viciado em comer cedo, eu sou viciada em sono de manhã, defendemos nossos vícios até as últimas forças, mas me incomoda a culpa de conviver com um periquito rouco.


E falando em bichos, Gauguin pulou a cerca e vai ser pai. A vizinha está grávida - a canina, bem entendido - e eu jurei que não queria mais bichos no meu reino, mas acho que um filhotinho só, só um mesmo, apenas UM filhotinho, um único cachorrinhozinho pequenininho, não desequilibraria a Força.


No dia em que o céu desabou fui ler os jornais na beira da praia, claro que antes do tempo fechar, e o dia parecia tranqüilo, um trabalho em fase de finalização, uma viagem no fim da tarde e uma saudade em vias de ser morta sufocada e estrangulada por abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, mas aí vieram as nuvens pretas, o vento, umas chicotadas de areia, um jornal voando até o mar com grandes asas atrapalhadas, uma chuvarada que entrava pelos olhos e um pedaço de telhado ameaçando aterrisar fora da pista de pouso.
Eram os marcianos chegando. Você fala minha língua?, perguntei como nos filmes, mas todo mundo sabe que eles só falam inglês.
Então tomaram a área em segundos e transformaram a Civilização em destroços e cinzas.


Pois agora estamos de férias, numa dimensão tão vasta quanto o espaço e tão desprovida de tempo quanto o infinito, vários e múltiplos dias longe daquela região além da imaginação, do espaço intermediário entre a luz e a sombra, que se encontra entre o abismo dos temores do Homem e o cume dos seus conhecimentos, ou algo assim.
Estamos de volta aos sustos normais, tiroteios, emboscadas e, por que não? tufões [superchique este clima de primeiro mundo].
Mas aqui nunca faz frio. Que droga.


Hilda     01:07     comentários


quarta-feira, 4 de maio de 2005

Não me incomodam os clichês. Clichês são amiguinhos. Clichês não explicam e não complicam, não justificam e não pretendem, não esgotam e não completam.
Clichês podem ser descongelados à temperatura ambiente, em banho-maria ou em qualquer tipo de forno, e em poucos segundos seus problemas acabaram/nunca existiram. Ou permanecem protegidos da indiscrição do mundo.
Clichês irritam, eu sei, e como irritam. Mas não matam. O que mata é a necessidade de se deslumbrar mais uma vez com as lombrigas trapezistas do Pior Circo do Universo.


Hilda     22:04     comentários


This page is powered by Blogger.