Pois juro que não despertei com ganas assassinas na manhã de domingo ouvindo a Cesária Évora. Depois Buena Vista Social Club. Depois Cesária de novo, muito tempo. Canto triste, triste, caboverdianamente triste mas lindo, que me lembrou de anos distantes.
Já corri o risco de morar e trabalhar como colaborante em educação na Guiné-Bissau, que venceu a luta pela independência junto com Cabo Verde num movimento unificado, liderado por um partido "ideal" nos meus sonhos rebeldes d'antanho, o PAIGC
Mas morar lá, naquele tempo, tava brabo. Com filha pequena num país sem assistência médica, sem saneamento básico, cheio de mosquitinho com malária e alimentação racionada. A gente sai daqui pra ajudar e complica a vida da própria família, que não pediu pra nascer mas pede responsabilidade pra ser criada. Acabamos concordando que tinha muito brasileiro precisando de colaboração perto de casa mesmo, e muitas formas indiretas de apoiar grandes ideais.
E foi assim que conheci Guiné-Bissau e Cabo Verde apenas pelos romances da coleção Autores Africanos da Ática (Mayombe, de Pepetela, foi o que gostei mais), pelos livros, xeroxes de textos das áreas libertadas, jornais, palestras e conversas do Zé Maria Nunes Pereira, fundador do CEAA da Candido Mendes
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